26.4.07

007 as amígdalas e o tubo de imagem

aí eu dou conta de que quase não vejo mais tv quando percebo que perdi episódios valiosíssimos d’a grande família. mas me impressionou mesmo foi a quantidade de produtos, que são oferecidos no intervalo, para regular o intestino das moças. nada como dois dias de atestado médico para se atualizar. amanhã a folga acaba.

25.4.07

006 muito suor

hoje eu queria colo de namorada. falta a namorada. passei o dia de resguardo. ontem eu mal conseguia andar, há umas duas semanas minha garganta começou a dar sinal de vida, eu sei bem o motivo, ontem ela não perdoou. minha homeopata, que é um doce, me encaixou num horário. essa noite o travesseiro ficou ensopado, mas acordei outro. o bom de ficar em casa foi poder passar algumas horas deitado na cama, olhando pra paineira que tem na frente da janela do quarto, essa época do ano ela fica de pássaros até os tampos. e muita música (giu, obrigado pelo arcade fire), cristais de gengibre, balas de própolis, platina ch100 e suor.

23.4.07

005 nina e mirco, ou uma história cheia de clichês

- não sei...

- bom...pelo menos diz que vai pensar nisso.

- acho muito cedo, não sei...

a essa hora ele já estava arrependido de ter aberto a boca. levou muito tempo pra conseguir fazer a proposta, pura insegurança, aí quando ele abre a boca dá nisso. ele não tinha pensado o que faria se acontecesse o que aconteceu. não que não pensasse sempre no pior, ele sempre pensava no pior, mas naquele dia ele estava especialmente confiante.

- é..., você tem razão, vai ver é muito cedo e eu tô me precipitando.

falou isso desviando do olhar dela, olhou pra as mãos e viu que precisava cortar suas unhas e, entre um gole de mate e uma tragada no baseado, percebeu a cagada que tinha feito. pra ele aquele papo de tempo não tinha nada a ver e pensava – cedo, mas que cedo porra? - acabou de fumar e foi pra cama.

começaram a sair sete meses antes desse dia. ele tava no balcão do bar, seu lugar favorito, ela tava com uns amigos. ele ficou olhando pra ela por uma meia hora, até que ela veio falar com ele. a verdade é que ele nunca achava que era com ele. tinha medo de humanos, gostava de alguns, mas tinha medo da espécie, inclusive de si mesmo. como nunca achava que era com ele quase nunca as coisas passavam de trocas de olhar,que poderiam ter se tornado outras coisas, mas ele não sabia como dar espaço pra que isso acontecesse.

o som do bar tava muito alto quando ela se apresentou e perguntou o nome dele, o que a obrigou a falar bem perto do ouvido dele. ele respondeu e ficou pensando o que poderia perguntar pra ela. desprezava a idéia de perguntar o que ela fazia, sempre achou esse o tipo de pergunta cretina a se fazer para uma pessoa que está conhecendo. queria perguntar alguma coisa que a deixasse com uma boa impressão (claro, no entendimento que ele tinha de boa impressão), mas não conseguiu pensar em nada e disse que achava o cabelo dela bonito, o que era verdade, ela agradeceu sorrindo, sabia receber elogios, e pediu um gole da cerveja dele, ficaram se olhando enquanto ela tomava o gole. duas cervejas depois saíram do bar e foram pra casa dela.

daquele dia até hoje eles ficavam quase que todo tempo livre juntos, ou ele na casa dela, ou ela na casa dele. ela tinha terminado um namoro longo seis meses antes de conhecê-lo, ele não saía com ninguém fazia muito tempo. seu último namoro terminará dois anos antes de quando se encontraram no bar, de lá pra cá foram algumas histórias esporádicas. as coisas estavam legais entre eles, bem legais, mas ela não planejava morar com ele naquele momento. ela dividia um apê na santa cecília com uma amiga da época da graduação, ele morava no bixiga com um amigo de sua cidade natal. ele queria morar com ela.

a semana seguinte foi uma merda, inventou um monte de desculpas pra não se encontrarem. no fim de semana foi visitar um amigo que tinha se mudado pra belo horizonte. chorou pacas. a viagem fez bem pra ele. o choro também. não sabia lidar com rejeição, não que fosse esse o caso, mas ele achava que era, voltou pra são paulo sabendo que não era, mas que ela tinha o tempo dela e que ele foi desastroso ao fazer o convite.

chegou em casa e ligou pra ela. queria vê-la. foram ao cinema. cinco meses mais tarde ela escreveu uma carta dizendo que aceitava o convite.

18.4.07

004 sempre tem alguém pra se suspeitar

a vida começa depois da morte. faz todo o sentido pra quem acredita em vida eterna, mas pense na figura que tava berrando isso sem parar. pensou? novo testamento na mão, terno surrado e com uma capacidade de falar alto que dá inveja aos locutores de porta de loja. ou seja, mais um e como ele mesmo dizia, cheio de defeitos. a perfeição é divina, ora bolas.

bom, mas o que interessa é o lugar em que essa figura bate ponto. o lugar é concorrido, sobretudo aos sábados. até parece um zoológico tamanha a variedade. tô falando de uma praça, uma que tem um chafariz que antes de ser chafariz era um mictório a céu aberto e que antes de ser o mictório era um teatro de arena. a dita cuja é sinônimo de efervescência social. de sábado tem feira que o pessoal chama de feira de artesanato, tem uns caras que fazem uns trampos, sabe como? tem a barraca do acarajé e do yakissoba (clássicos, não?) e é claro, as barracas dos paninhos de prato. mas não é só isso! do outro lado da praça, bem pertinho do cara que crê que a vida começa após a morte, ficam os homens de branco que um dia, assim como o sindico, leram universo em desencanto, são super na deles, entregam uns folhetos e boa. são vizinhos das moças, que não são tão na delas, quem passa perto leva uma cantada. vale né? cantada de puta vale sim. aqui, ou melhor, somente nessa praça, por força de lei e apesar da caretice que impera na província, o trottoir é permitido. ainda falta a carteira assinada, se bem que isso virou artigo de luxo.

e a propaganda do skol beats. tosca demais.

e essas pessoas que ficam acampadas na frente de um estádio pra ver um show? devem ser chatos demais. todos juntos, cantando por dias as músicas do grupo

12.4.07

003 o ventilador e eu

cheguei aqui em novembro de 2005, vim com um lugar pra morar em definitivo, um amigo já morava na cidade e me convidou pra dividir o apartamento. havia um quarto vago, para mim foi ótimo. só precisei comprar uma cama, a casa já tinha tudo, inclusive um ventilador no teto do quarto, objeto de minha implicância inicial. ele é feio e ventilador no teto, pra mim, não é coisa boa, acho brega, queria mesmo era tirar ele de lá, assim como com as luminárias da sala, que são medonhas. mas para a nossa sorte, a minha e a dele, mais minha do que dele, eu cheguei aqui em novembro, e descobri que aqui é quente, muito quente. estamos num vale, o que explica o calor daqui. na primeira noite a implicância com o ventilador passou. estabelecemos um relação ótima e eu sou muito grato pela sua existência. as luminárias persistem, apesar da minha implicância.

11.4.07

002 na terra do chafariz

e aí que onde eu vivo os caras tem uma fissura por chafariz. não sei o motivo da fissura, mas deve haver um, não é possível. vai vendo, da ioga pra minha casa são menos de dez minutos de ônibus e três chafarizes, do cinema pra casa são quatro e bem perto ainda há um quinto. não sei, acho que quando sobra uma grana os caras resolvem fazer um chafariz. tem um onde era um teatro de arena, bem na praça central (um dia escrevo da praça), aí como ninguém fazia nada no teatro além de usar como banheiro, uns caras, desses que sempre aparecem com soluções ótimas, resolveram que bom mesmo seria aterrar aquilo tudo e fazer um chafariz. idéia genial.


veja, não que eu tenha alguma coisa contra chafariz, se quiserem me acusar de ser contra alguma coisa que me acusem de ser contra anões de jardim, para mim eles tem de ser libertos, mas isso é outro papo. o fato é que aqui tem uma quantidade realmente grande de chafariz, não sei quantos mas arrisco a dizer que é uma das cidades que mais chafariz tem no estado de são paulo e a maioria deles são de um gosto pra lá de duvidoso e eu aprendi que um chafariz pode atrair uns tipos estranhos, como noivos, por exemplo e isso é sério, de onde eu venho tem um chafariz medonho no entroncamento de duas grandes avenidas (uma delas se chama nove de julho, toda cidade paulista tem uma avenida ou uma rua com esse nome e, pasmem, isso não tem relação alguma com a data da independência da argentina) e os noivos adoram tirar fotos lá, o chafariz é concorrido, imagino que deva existir uma lista na prefeitura, das 10h-11h o chafariz é para o casal fulano e sicrana; das 11h-12h para o casal kimico e kimala e por ai vai.


um dia o chafariz amanheceu espumando, com direito a foto na capa dos jornais locais, neguinho tinha colocada sabão em pó. os noivos ficaram sem foto. guardo boas recordações desse dia.

10.4.07

001 primeiro capítulo de uma história boba

pois é. eu fazendo um doce danado pra ter um blog. idéia de uma amiga nova, como ela gosta de dizer. sou facilmente influenciável. então eu que não queria um blog acabei por criar um do nada. bom, vamos quanto tempo isso dura.